AGENDA: Os Bombeiros Voluntários de Portimão vão levar a efeito este ano uma exposição itinerária, retrospectiva dos 90 anos da instituição.
Actualidade

António Caruna (1933-2008)
O HOMEM E A PALAVRA FLUENTE AO SERVIÇO DA HISTÓRIA

Através dos blogues Rio das Maçãs e Notícias de Colares, tomámos conhecimento do inesperado falecimento de António Nunes Rodrigues Caruna (1933-2008), destacado operacional e dirigente dos bombeiros portugueses, com quem, há vários anos, travámos amizade e chegámos a trabalhar, lado a lado, quando ambos fizemos parte da Comissão Executiva do Núcleo de História e Património da Liga dos Bombeiros Portugueses.
Paralelamente ao exercício das funções de 2.º comandante dos Bombeiros Voluntários de Colares, foi, em períodos distintos, presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Lisboa e secretário administrativo da Liga dos Bombeiros Portugueses, notabilizando-se, a nível nacional, por inestimáveis provas de dedicação e competência.
A sua condição de cidadão activo levou-o a abraçar outras causas, nomeadamente no poder local, onde assumiu a presidência da Junta de Freguesia de Colares. Porém, numa entrevista que nos concedeu, na extinta Rádio Ocidente, ao falar da desmotivante experiência como autarca, afirmou-nos que a sua preferência recaíria, sempre, em primeiro lugar, nos bombeiros, reconhecendo que "a vida associativa é mais pura".
Homem de fino trato, culto e dono de um admirável poder de comunicação, verbal e escrito, António Caruna dedicou-se, também, à divulgação e preservação da história dos bombeiros portugueses, salientando-se como autor dos livros comemorativos dos centenários da Associação dos Bombeiros Voluntários de Colares e da Banda dos Bombeiros Voluntários de Colares. Entre outros trabalhos, o seu nome figura ainda na autoria do capítulo "Grandes Incêndios", incluído no primeiro volume do livro Bombeiros Portugueses. Seis Séculos de História, 1395-1995, editado pelo Serviço Nacional de Bombeiros e pela Liga dos Bombeiros Portugueses.


Não nos movem ideias saudosistas, mas entendemos que a memória de um passado construído, com tanto amor e abnegação, na total disponibilidade para a prática do bem, terá de constituir um compromisso para os presentes. Terá de fazê-los sentirem-se como que depositários efémeros de uma inesquecível herança moral que terão de transmitir aos vindouros ainda mais enriquecida.

António Caruna


Por altura do ano de 2000, ao dar parecer sobre a criação do "Museu dos Bombeiros Portugueses", no âmbito dos trabalhos da Comissão Executiva do Núcleo de História e Património da Liga dos Bombeiros Portugueses, o nosso homenageado, num documento manuscrito que conservamos em arquivo pessoal, defendia:

Para este Museu, de âmbito nacional, parece-me não podermos pensar senão em Lisboa, Porto, Coimbra ou Aveiro. A própria economia da gestão deste Museu só terá sustentabilidade em ou junto a centros populacionais como aquelas cidades proporcionam.

E acrescentava, deixando subjacente a sua perspectiva racional e, por conseguinte, responsável:

Os custos de construção terão naturalmente de ser sustentados por apoios comunitários ou governamentais quer no que respeita ao terreno a adquirir como à construção propriamente dita desde o projecto aos acabamentos e equipamento.
No que respeita à gestão, tendo embora em conta as receitas das visitas ou outras, terá de haver apoios quanto mais não seja para os custos com pessoal.

De momento, António Caruna era 2.º comandante do Quadro de Honra dos Bombeiros Voluntários de Colares e membro da Direcção da mesma instituição.
À família e associação/corpo de bombeiros enlutadas, Fogo & História apresenta sentidas condolências.


Luís Miguel Baptista