Ao termo "quartel" antecedeu, mais precisamente nos séculos XVIII e XIX, a expressão "casa da bomba", utilizada para identificar o local onde em determinado lugar, aldeia, vila ou cidade do país era guardada a bomba manual de combate a incêndios.
Com a expansão do serviço de incêndios e à medida que se foi intensificando a sua organização, subordinada a novos conceitos tanto do ponto de vista estrutural como material, passou a ser aplicado o vocábulo "estação", secundado pelo actual "quartel".
Durante muito tempo os quartéis de bombeiros funcionaram em espaços adaptados para o efeito, solução que progressivamente veio a ser colocada de parte através da construção de edifícios de raiz. Na sua maioria apresentando condições modestas, tal como acontecia nas vulgarmente designadas "corporações da província", cedo se tornaram pontos de referência, sendo interiorizados pelas populações como algo muito seu, consequência lógica do movimento associativo da sociedade civil que presidiu à fundação das instituições.
Através do alargamento da missão dos bombeiros a outras áreas, os respectivos quartéis passaram também a assumir maior importância social, tornando-se cada vez mais presentes na vida das comunidades. Assim veio a acontecer, por exemplo, com a disponibilização do serviço de auto-maca e a instalação de postos de socorros. E, de modo reforçado, a partir do momento em que, a título complementar, procurando suprir necessidades de âmbito local, passaram a acolher postos de telefone público, salões de festas, bibliotecas e infra-estruturas desportivas, entre outras vertentes conducentes à valorização moral e intelectual das populações, no âmbito das quais, por exemplo, muitos cidadãos tiveram a oportunidade de tomar contacto, pela primeira vez, com o cinema, a rádio e a televisão.
A esses tempos e factos, de inquestionável alcance na melhoria da qualidade de vida colectiva, reportar-se-ão as imagens que aqui publicaremos com regularidade, desafiados por manter uma galeria dos mais emblemáticos "templos de paz", conforme, um dia, alguém se lembrou de qualificar os quartéis de bombeiros.
Texto: LMB
Imagem: Quartel da Companhia Voluntária de Salvação Pública "Guilherme Gomes Fernandes" - Aveiro, estilo Arte Nova, projectado pelo arquitecto e primeiro comandante Carlos Mendes, em 1920.
